+ Mais postagens
clube-empresa

Alguns clubes levariam mais de um século para pagar dívidas

Nos estudos técnicos para a formatação do projeto do clube-empresa, encomendei à consultoria legislativa da Câmara um panorama econômico-financeiro de 19 clubes do país no ano de 2018. O estudo foi elaborado por  Adriano da Nobrega Silva Consultor Legislativo da Área IV Finanças Públicas e Antonio Marcos Silva Santos Consultor Legislativo da Área III Direito Tributário / Tributação. Segue na íntegra a seguir.

A análise contábil indicou uma situação catastrófica para alguns. Times como Santos e Chapecoense, por exemplo, apresentam geração de caixa negativa, e nunca vão conseguir pagar seus passivos. Já o Cruzeiro vai precisar de mais de dois séculos para quitar suas dívidas! Muito além do tempo médio para a maioria dos clubes que é de 10 anos.

O resultado também aponta que dos 19 clubes analisados, 16 possuem despesas financeiras maiores que as receitas. Com os recursos escassos, em geral, alguns não pagam as dívidas com o Fisco. O montante dos débitos tributários (R$2,5 bilhões) em relação aos demais débitos (R$7 bilhões) varia de 2%, caso do Chapecoense, a 86%, exemplo do Flamengo.

Além disso, os clubes gastam, em média, 50% do que arrecadam com despesa com pessoal. Os gastos com a folha de pagamento variam entre 29% (Palmeiras)  e 75% (Sport). E o superávit líquido dos times é de apenas R$32 milhões.

Encontrar uma solução para o alto endividamento dos clubes, apresentando sugestões para a recuperação judicial, além de trazer investidores para o futebol, num ambiente empresarial profissional com responsabilidade patrimonial, são alguns dos principais objetivos da regulamentação do clube-empresa.

Embora a maioria tenha rentabilidade baixa ou negativa, em geral, os clubes apresentam receitas elevadas. A receita líquida total dos 19 clubes analisados é de cerca de R$5 bilhões.

Temos um diagnóstico muito detalhado que aponta, entre outras coisas, que o futebol brasileiro é promissor. A rentabilidade média dos que apresentam superávit é compatível com a dos 20 maiores clubes do mundo pela lista da Forbes. Levando-se em consideração a cotação do dólar, a dívida total dos clubes brasileiros não chega a US$2 bilhões. Ou seja, há espaço para atrairmos recursos de investidores estrangeiros.

O potencial do mercado é um dos motivos para a regulamentação do clube-empresa que têm anuência do ministro Paulo Guedes e da equipe econômica do governo, e conseguiu unir a Câmara e o Senado em torno do tema, que deverá ser analisado nas próximas semanas.

O futebol representa 0,3% do PIB e gera 300 mil empregos. O projeto do clube-empresa pode quadruplicar o potencial econômico e gerar mais de um milhão de empregos.

A análise utilizou os demonstrativos contábeis dos clubes: Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo, Sport, Vasco da Gama e Vitória. E se baseou nos relatórios Finanças dos clubes brasileiros em 2018, da Sports Value e Análise Econômico-financeira dos clubes de futebol em 2018, do Itaú BBA.

Estudo na íntegra.

Estudo Futebol 2019