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Entrevista ao Informe do Dia

Na semana passada, fui entrevistado pelo jornalista Cássio Bruno, para a coluna Informe do Dia. A entrevista foi publicada hoje na edição impressa. Na conversa,  falei sobre a situação preocupante da economia do nosso Estado, sobre o desastre da administração e a incapacidade política do prefeito Marcelo Crivella no comando do Rio, e é claro, sobre a Reforma da Previdência, da qual fui candidato à relatoria, e continuo acompanhando de perto. É uma pena não ter espaço para publicar a entrevista na íntegra. Mas reproduzo aqui para vocês.

Rio – O deputado federal Pedro Paulo Carvalho (DEM), de 46 anos, é candidato a relator da Reforma da Presidência. Segundo o parlamentar, a votação ocorrerá até novembro. “Mas, se houver acordo, pode ser no primeiro semestre”, diz. Em entrevista à Coluna na última quinta-feira, ele faz um balanço da derrota do amigo Eduardo Paes (DEM) para o governo do Rio no ano passado. Afirma que o ex-prefeito é “candidato natural” à sucessão de Marcelo Crivella (PRB). Pedro Paulo fala ainda sobre a Operação Lava Jato na qual é alvo de inquérito com Paes. A dupla é suspeita de receber R$ 18 milhões via caixa 2 em campanhas eleitorais. O deputado também dispara contra o governador Wilson Witzel (PSC): “Na Segurança, qual é a política, além do Sniper?”

O DIA: O que deu errado para o Eduardo Paes na última eleição de governador do Rio?

PEDRO PAULO: O Eduardo viveu o fenômeno que o Brasil viveu. As eleições estaduais sofreram a onda Bolsonaro. Nas majoritárias ou nas proporcionais. A onda tirou candidaturas favoritas.

Mas, de alguma forma, o eleitor não percebeu a ligação do Paes com Cabral, Picciani, Paulo Melo e os outros presos da Lava Jato? Foi um fator?

Na capital, onde o Eduardo é conhecido, acho o contrário: superou esta imagem de associação. Na Zona Sul, eleitores de classe média, classe média alta, ele ganha do Witzel. A partir daquela eleição, o Eduardo se descolou. Onde não é conhecido, ainda pode ter essa nuvem. Mas, onde o eleitor o conhece, ficou clara a diferença

Em que momento vocês perceberam que era hora de pular fora? De sair do MDB e ir para o DEM?

O MDB não se renovou, continua na mesma toada, mesmo comando. Primeiro, era importante a gente marcar a diferença de procedimentos. Segundo, o MDB não fez qualquer movimento de renovação, nem nacional nem regional. E, terceiro, a gente queria respirar novos ares, buscar outro caminho.

O Eduardo será candidato a prefeito, em 2020?

É o meu candidato. Agora, tem que perguntá-lo, né?. Só ele poderá dizer.

As chances são grandes.

É o candidato natural. Acredito que em qualquer pesquisa, Eduardo estará bem, principalmente pela associação à tragédia do Crivella. Mas será uma decisão muito pessoal. Aspectos práticos, profi ssionais, serão importantes para a decisão, mais do que em qualquer outra eleição. Acredito que a pressão (para ser candidato) será grande.

Pressão de quem?

Dos quadros políticos. Quando toma chope no boteco, ele tem presença e as pessoas falam “volta, Dudu”.

Na Lava Jato, há um inquérito que investiga você e o Eduardo Paes pelo recebimento de R$ 18 milhões da Odebrecht para campanhas eleitorais via caixa 2. Como vê a acusação?

Todo homem público está sujeito à investigação. Está toda hora provando seus atos. Principalmente para o Eduardo e eu, que estivemos oito anos de poder na cidade. Vejo com absoluta tranquilidade. E, no correr do inquérito, provaremos que não passa de desespero de pessoas que estão pagando seus pecados e fazem delações a qualquer custo para tentar livrar das penas.

Vocês receberam caixa 2?

Claro que não! O inquérito está há mais de dois anos sem ter prova razoável.

Como tem acompanhado o processo de impeachment de Marcelo Crivella?

O Crivella vive mais sua incapacidade política que se soma à tragédia do governo. É perigoso porque, quando aberto um processo de impeachment, você não controla mais. Pode surgir fato novo e agravar a situação. Mas, se houver o afastamento, que a substituição seja pela lei orgânica, eleição direta. Sou contra mexer na lei de forma abrupta e oportunista.

E o governo Bolsonaro?

É um governo, por um lado, positivo, de mudança de direção dos anos do PT. Aponta uma direção, no ponto de vista econômico, correta. Mas é um governo atrapalhado. Bolsonaro tem problemas graves de liderança

E a postura em relação à Reforma da Previdência?

Falta liderar a articulação política e vocalizar a Previdência. Se o Bolsonaro não vocalizar, a tendência é perder mais capital político.

A economia do Rio está no caminho certo? E a gestão do Witzel?

Não promoveu mudanças. Na Segurança, qual é a política, além do Sniper? Não conheço. Estou preocupado porque acredito que, se não apresentar um plano fiscal estruturado, pode haver este ano atrasos de pagamento. Qual é a política de Educação e de Saúde? É um governo sem projeto. Preocupado com faixa, broche e candidatura a presidente.

O caso de agressão à sua ex-mulher atrapalhou na eleição de 2016?

Óbvio, atrapalha. Mas é um episódio superado. Foi provado que não passou de mentira. Infelizmente, parte do eleitor acreditou.