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Precisamos falar sobre o clube-empresa

 

 

Há pouco mais de um mês, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, me incumbiu de ser o relator do clube-empresa, projeto que tenho estudado a fundo, conversado com dirigentes, federações, atletas e especialistas a respeito. O objetivo é criar ambiente profissional e atacar o superendividamento dos clubes.

O projeto tem alguns pontos principais:

Primeiro, mudar o ambiente de uma boa parte dos clubes de futebol, daqueles que desejarem entrar neste universo mais profissional. Dar a possibilidade de sair do modelo de associação civil para empresa, explorando o potencial que o futebol tem de alavancar recursos. O segundo aspecto é o enfrentamento do endividamento. A maioria dos clubes está enforcada em dívidas. Esse sufocamento dos clubes tira deles a capacidade de investir, de ter salários em dia, de formar uma geração de novos atletas, de empregar.

Precisamos somar esses dois aspectos com um ambiente de transparência no futebol, de responsabilidade dos dirigentes. Precisamos interromper esta geração de passivos que tem – muitos por conta de corrupção dos clubes. Os dirigentes, na maioria das vezes, não possuem responsabilidade nenhuma, produzem as dívidas, vão embora depois de uma gestão.

Para se ter uma ideia, em termos de comparação, numa lista com os 20 maiores times de futebol do mundo, 11 têm um endividamento entre zero e um por cento, entre dívida e receita anual. Olhando os clubes que possuem algum endividamento, o Inter de Milão tinha 50% de dívida em relação à receita anual. E o Inter de Milão, que é um dos mais endividados entre os 20, é comparado ao Flamengo, que é um dos clubes que têm a melhor situação no Brasil, o clube mais organizado financeiramente com 50% de dívida em relação a sua receita.

Esse jogo precisa mudar. Os clubes precisam mudar o ambiente profissional, entrar com garra no universo empresarial e sair do amadorismo. Queremos criar um ambiente seguro para atrair investidores. Precisamos tratar a questão do endividamento.

Não vamos abrir renegociação de dívida com os clubes que permanecerem como associações civis sem fins lucrativos. Além disso, é preciso calibrar o regime tributário, encontrar alguma solução que facilite a tributação. Uma corrente quer uma equiparação tributária; outra corrente quer tributação das empresas não seja uma tributação normal, por causa no nível de endividamento dos clubes. Estamos aprofundando os estudos sobre esse ponto.

O mais importante é ressaltar que  não é um projeto obrigatório. Não estamos imponto que os clubes virem empresa. É opcional. Mas estamos construindo uma proposta que gere incentivos para quem quiser virar empresa.

Não queremos passar a mão na cabeça de ninguém, a ideia é atrair investidores, profissionalizar, modernizar a gestão, cobrar mais responsabilidades fiscal e transparência.

 

Leia a matéria do Estadão na íntegra: https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,relator-de-projeto-clube-empresa-pede-adesao-dos-times-ao-universo-empresarial,70003020100