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Um Rio desgovernado

 


Seis mortes, um ônibus soterrado, vários deslizamentos, sirenes que  não tocaram em algumas áreas de risco, inúmeros prejuízos, perdas inestimáveis. Mais uma vez uma chuva de verão transformou a nossa cidade num caos. E mais uma tragédia que poderia ter sido evitada, se a Prefeitura do Rio não tivesse cortado as verbas destinadas à Secretaria Municipal de Conservação, ao Programa de Proteção de Encostas da Fundação Geo-Rio e do Programa de Controle de Enchentes da Fundação Rio-Águas.

Fiz um levantamento pelo Rio Transparente e selecionei os processos cujos objetos falavam sobre manutenção. O total dos valores contratados para manutenção da cidade pelo prefeito Marcelo Crivella foi de R$240.360.122,97, sendo que os valores pagos em 2017 e 2018 foram apenas R$99.430.693,04. O percentual de pagamento é de 41 %, sendo que existem contratos que ainda não foram pagos. Em 2017,  denunciei os cortes realizados pela atual gestão na área de infraestrutura.

 

 

Crivella aumentou IPTU, ITBI, taxou os servidores aposentados e mesmo assim reduziu investimentos para aquilo que é sua função principal: Saúde, Educação e Manutenção. O resultado não poderia ser outro. Eventos naturais e a sua intensidade não controlamos, no máximo, antecipamos dias ou horas, para reduzirmos danos, mas a capacidade de resposta imediata, eficaz, aquilo que chamamos de resiliência, isso sim é tarefa direta da Prefeitura. Os transtornos que vimos ontem e hoje são também explicados pelos números, mostrando a costumeira incompetência, que, infelizmente, a cidade já conhece. E o que é pior: custam vidas!

Agora, um outro levantamento feito pelo vereador Paulo Pinheiro do Psol, mostra que a Prefeitura havia feito um corte de 65% na verba destinada à Secretaria Municipal de Conservação, que é responsável pelos serviços de limpeza de galerias de águas pluviais. Na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes, foram destinados R$42 milhões, em 2015 e R$38 milhões, em 2016. Já Crivella destinou apenas R$28 milhões em 2017, e R$27 milhões em 2018. E a previsão para este ano é ainda pior: apenas R$20 milhões.

A verba destinada ao Programa de Proteção de Encostas da Fundação Geo-Rio também teve seus valores reduzidos em 62%. Mas, sem dúvida, o programa mais atingido foi o Controle de Enchentes da Fundação Rio-Águas, que teve sua verba reduzida em 69%. Enquanto  em 2015 o ex-prefeito Eduardo Paes destinou  R$308 milhões, e aumentou para R$389 milhões no  ano seguinte, Crivella começou seu governo cortando para apenas R$122 milhões. Em 2018, ele aumentou para R$144 milhões, mas este ano, reduziu novamente. A previsão é de R$118 milhões.

Isso é muito grave. Investimentos em infraestrutura também são fundamentais na administração de uma cidade. Sabemos muito bem disso. Tanto que quando estive à frente da Casa Civil, criamos o Rio Resiliente, assim como os  reservatórios de Controle da Chuva da Grande Tijuca.

O Rio está desgovernado. Foram seis mortes até agora. Será que vai ser preciso quantas outras?

Dados do Rio Transparente: RioTransparenteContratos Manutenção da Cidade