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Eduardo Paes

Um rombo recorde nas contas de Crivella

 

Apesar de estar trabalhando incessantemente para a votação da Reforma da Previdência, fiz uma pequena pausa para falar sobre o Rio de Janeiro, essa cidade que amamos, mas tão castigada por essa gestão caótica do prefeito Marcelo Crivella. Ontem, o Tribunal de Contas do Município (TCM), julgou as contas da prefeitura em 2018, e apontou um rombo recorde, um déficit de R$3,25 bilhões.

As contas foram aprovadas pelo conselheiro Antonio Carlos Flores de Moraes, mas com 23 determinações, 12 recomendações e uma ressalva (referente aos R$ 3,25 bilhões), após uma sessão de durou mais de quatro horas. Para se ter uma ideia, em 2016, quando eu era Chefe da Casa Civil na gestão do prefeito Eduardo Paes, as contas foram aprovadíssimas com zero ressalva e zero alerta. Terminamos o mandato com um superávit de R$ 3 bilhões, aprovação limpa, e sem nenhuma ressalva do TCM.

Havia caixa líquido positivo. Não havia nenhuma insuficiência financeira, que é empenhar despesa sem ter caixa. Isso foi gerado na atual gestão. A contradição é que Crivella buscou novas receitas, para isso, aumentou o IPTU da maioria da população e ainda incluiu a contribuição de aposentados e pensionistas. Ele pesou a mão para os contribuintes, aumentou a arrecadação, e o que adiantou? Nada!

Crivella gastou apenas os mínimos exigidos para áreas como Saúde e Educação. O cenário é de total descontrole. É crise na saúde municipal, provocada por falta de médicos e equipamentos; redução drástica nos investimentos na conservação da cidade, provocando bueiros entupidos e a tragédia que a gente sofreu – e muitos moradores, como os que moram no Vidigal, ainda estão sofrendo – com as últimas chuvas.

Na Saúde, estavam programados investimentos na faixa de R$400 milhões, mas foram executados apenas 14% disso. O resultado é a deterioração das Clínicas da Família, o sucateamento dos hospitais e o colapso na saúde dos cariocas.

Não há planejamento e, principalmente, não há gestão. Atualmente há mais professores de Educação Física (2983, ou 3,55% do total) na rede do que de outras disciplinas como Português (1824), Inglês (1.439), Matemática (1.326) e Ciências (1.225).

E a perspectiva de futuro não é nada boa. Os repasses da União para o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) se encerram a partir de 2021.

A Comlurb, por exemplo, teve seu orçamento aumentado. As despesas aprovadas para a companhia este ano chegam a R$2 bilhões – um orçamento bem alto. Para efeito de comparação, durante a gestão do prefeito Eduardo Paes, a Comlurb tinha um orçamento de R$1, 6 bilhão. E com esse orçamento, bem menor do que o atual, conseguia manter as ruas limpas, garis trabalhando, bueiros desobstruídos, as lixeiras e papeleiras, que atualmente são praticamente peças em extinção na cidade.

Apesar do orçamento estratosférico na gestão Crivella, comparado ao que é gasto em obras de infraestrutura de grande porte, a prefeitura atrasou o pagamento de fornecedores e empresas que prestam serviços à Comlurb. E quem sofre com isso? A população que atualmente vive numa cidade suja e abandonada à própria sorte.

É uma administração caótica. São mais de 65 obras inacabadas. Está claro que a prefeitura tem um volume de empenhamentos muito maior do que sua condição financeira. Não precisa ser economista para saber que as despesas sem prévio empenho (previsão de que há receitas no orçamento para pagar) devem ser evitadas. Isso qualquer dona de casa sabe.

Se continuar assim e se essa situação se repetir em 2019 e em 2020, as contas não serão aprovadas. E se a prefeitura não deixar dinheiro para restos a pagar no último ano, não tem como aprovar.

Vai ser difícil cobrir esse rombo de R$3,25 bilhões. Mais ainda é ver a nossa cidade abandonada e tão maltratada.

 

Leia a matéria do Diário do Rio